AGORA É GREVE!

Depois de várias rodadas de negociação entre agosto e setembro, é os bancos dizendo não para todas as nossas reivindicações, agora não tem mais jeito, AGORA É GREVE!

NÃO COMPENSE AS HORAS DA GREVE - BANCOS NÃO SÃO ENTIDADES FILANTRÓPICAS


GREVE É DIREITO, NAO É DELITO!

08 novembro, 2006

A rebelião das bases

O questionamento dos bancários à sua direção não foi explosivo como em 2004, ao contrário, foi silencioso. A categoria ficava revoltada com as notícias que ouvia sobre o que a Contraf/CUT estava fazendo, mas não reagia.
O MNOB defendeu sozinho, nas assembléias de todo o país, contra a mesa única e por uma política de reposição de perdas que garantisse uma melhora significativa dos salários. Também defendíamos priorizar as negociações específicas para conquistar a isonomia, a jornada de seis horas sem redução dos salários e um novo PCC/PCS nos bancos públicos.
Quando a Contraf/CUT entregou a pauta sem assembléias de base, o MNOB fez um movimento de chamar um Encontro Nacional de Base que votasse uma outra pauta de reivindicações, sem a mesa única e um calendário de luta que apontava um dia de luta em 05/09.
Ao fazermos o dia de luta, vários delegados sindicais do RS perceberam que era possível construir uma mobilização mesmo sem a orientação da Contraf/CUT e foi aí que começou o processo de mobilização por fora do controle delles.
Um calendário foi votado por eles apontando uma paralisação de 24 horas e uma data indicativa de greve por tempo indeterminado a partir de 21/09. Isso foi gerando um debate em nível nacional e logo vários sindicatos tiveram um novo calendário que apontava para começar a greve em 26/09.
Até aí o Comando Nacional nem falava em greve, o que só veio a ocorrer depois das eleições gerais no país.
Com a greve que estava acontecendo em todo o país e o silêncio do Comando Nacional, boicotando claramente a greve, as bases começaram a se insurgir e eleger representantes de base para o Comando Nacional. Foram cinco sindicatos que tiveram essa iniciativa: Bauru, RN, MA, BA e Florianópolis.
Depois desses ouve outros representantes eleitos em Porto Alegre, Rio de Janeiro e em São Paulo, onde na assembléia da CEF a diretoria abandonou a assembléia para não reconhecer a eleição do representante de base.
Esses representantes procuraram o Comando Nacional da Contraf/CUT e não foram atendidos, pois o que lhes foi dito era que eles não poderiam representar a categoria nacional por não ter esse mandato.
Isso levou a que os representantes de Base formassem um novo Comando de Base e protocolasse um pedido de negociação na Fenaban, no BB e na CEF. Foi então que se descobriu o real entrosamento dos sindicatos com as direções dos bancos, pois a resposta no BB foi categórica: “Se vocês quiserem negociar ou ficam na mesa da Contraf/CUT ou na mesa da Contec.”
Ali ficou explicito que não existe livre negociação, não se respeita a autonomia das bases e que só se pode negociar com as Confederações, uma que é amiga e cúmplice e a outra porque é oficial.
Infelizmente a greve já estava no fim e não foi possível forçar a negociação nos bancos com o Comando de Base, mas essa experiência nos deixou claro a necessidade de discutirmos um outro aspecto da mesa de negociação antes mesmo de discutir a greve: Quem negocia em nome dos trabalhadores.

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